Paulo Roberto Gomes Fernandes analisa que, em regiões com instabilidade geotécnica, a integridade de um duto depende da coerência entre traçado, monitoramento e resposta. Em 2026, deslizamentos, erosão e variações de nível d’água já entram como variáveis permanentes do ciclo de vida, e não como exceções. Por isso, o planejamento de integridade precisa unir engenharia, dados e governança, com decisões proporcionais ao risco.
Em áreas de serra, margens de rios e trechos sujeitos a movimentação de massa, o erro recorrente é tratar o solo como cenário estático. Quando o terreno muda, o esforço sobre o duto muda, e a priorização de inspeções precisa acompanhar essa dinâmica.
O que torna o risco geotécnico diferente do desgaste convencional
O risco geotécnico costuma aparecer por mecanismos indiretos: perda de suporte, exposição do duto e deformações que evoluem ao longo do tempo. Por outro lado, corrosão e descontinuidades de solda, embora críticas, tendem a ter rotinas de controle mais consolidadas. Conforme considera Paulo Roberto Gomes Fernandes, a dificuldade é que a instabilidade do terreno pode acelerar outros mecanismos, criando efeitos combinados e reduzindo margens de resposta.
A partir disso, a matriz de risco precisa incluir o “comportamento do entorno” como dado operacional. Histórico de ocorrências, sinais de alteração em drenagem e mudanças de cobertura entram no mesmo nível de importância de parâmetros do ativo, pois é o entorno que reconfigura a probabilidade.
Como priorizar trechos críticos com critérios verificáveis
Priorizar não é escolher pelo susto, e sim por critérios explicáveis e auditáveis. Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, um bom modelo combina consequência, por exemplo, proximidade de corpos d’água e áreas povoadas, com probabilidade, como inclinação, tipo de solo, intervenções humanas e chuva intensa. Dessa forma, recursos deixam de ser pulverizados e passam a proteger os pontos com maior impacto potencial.

Ainda assim, priorização só funciona com atualização. Quando uma obra altera o escoamento superficial, quando uma encosta sofre corte ou quando há ocupação irregular, a probabilidade muda. Logo, o plano precisa prever revisões e gatilhos de reclassificação, para que a criticidade reflita o presente.
Monitoramento e inspeção: transformar sinais em decisão de campo
Monitorar não é acumular dados, é converter sinais em ação planejada. Em terrenos instáveis, instrumentos de acompanhamento do solo e inspeções visuais frequentes podem ser tão relevantes quanto medições no próprio duto. Entretanto, sem regra de decisão, o monitoramento vira relatório sem efeito. Nesse sentido, cada indicador precisa de limite, responsável e resposta definida.
Por conseguinte, a inspeção deve ser combinada: avaliações externas orientadas por geotecnia, checagens de integridade quando aplicável e revisão de esforços e deformações do trecho. Como observa Paulo Roberto Gomes Fernandes, quando esses dados se integram, a organização consegue planejar janelas de intervenção com antecedência, reduzindo urgências e evitando ações tardias.
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Intervenções proporcionais ao risco e governança para reduzir reincidência
As medidas possíveis variam de correções de drenagem e estabilização de taludes a reforços de proteção mecânica, reaterro e, em casos extremos, relocação. Contudo, a escolha deve ser proporcional ao risco e sustentada por evidência, pois intervenções superdimensionadas elevam custo e podem criar novos pontos frágeis. Desse modo, uma lógica por camadas tende a ser mais robusta: controlar água e erosão, estabilizar o terreno e, então, aplicar soluções físicas adicionais no duto.
Em 2026, a maturidade do tema está na governança: registro de decisões, rastreabilidade de mudanças e capacidade de demonstrar por que um trecho recebeu uma intervenção e outro não. Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que integridade em terreno instável é um sistema de priorização contínua, em que risco geotécnico, inspeção e intervenção operam com o mesmo critério para sustentar segurança e previsibilidade.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez