Semae de Mogi das Cruzes usa mercado livre de energia e economiza R$ 667 mil

Por Diego Velázquez 7 Min de leitura

Adesão ao Ambiente de Contratação Livre em três unidades de alta tensão já soma R$ 2,3 milhões em economia acumulada desde 2025.

Uma dúvida comum entre quem acompanha as contas públicas de Mogi das Cruzes é como um órgão que presta serviço de água e esgoto consegue reduzir custos usando tecnologia de gestão de energia, e se essa economia realmente chega ao bolso do contribuinte. O Serviço Municipal de Águas e Esgotos, o Semae, encontrou uma resposta prática para essa questão ao aderir ao chamado mercado livre de energia em três unidades operacionais que funcionam com alta tensão. Entre janeiro e maio de 2026, a autarquia economizou R$ 667.687,96 na conta de energia elétrica, valor que, somado à redução obtida em 2025, já totaliza R$ 2,3 milhões. A seguir, entenda como funciona essa tecnologia de contratação de energia e por que ela tem se tornado cada vez mais comum entre órgãos públicos brasileiros.

O que é o mercado livre de energia e como o Semae aderiu a ele

O mercado livre de energia, também chamado de Ambiente de Contratação Livre, é a modalidade em que consumidores conectados à média ou alta tensão podem negociar diretamente com diferentes geradoras, escolhendo de quem comprar energia e em quais condições. Isso é diferente do modelo mais comum no Brasil, o mercado cativo, no qual o consumidor não tem opção de negociação e paga o valor definido pela concessionária de distribuição local, seguindo tarifas reguladas pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Como explica o engenheiro eletricista do Semae, Williams Stally Gomes dos Santos, a autarquia passou a comparar os dois ambientes de contratação e, com base nessa análise, optou por migrar para o mercado livre nas unidades que já atendiam aos requisitos técnicos exigidos para essa modalidade.

As três unidades contempladas pela mudança são a Estação de Captação, localizada no Rio Tietê, e as Estações de Tratamento de Água, a ETA Centro e a ETA Leste, todas com consumo elevado o suficiente para operar em alta tensão. Segundo levantamento do Departamento Técnico da autarquia, do total economizado entre janeiro e maio de 2026, R$ 375.434,04 vieram da Estação de Captação, R$ 161.105,82 da ETA Centro e R$ 131.148,10 da ETA Leste. Essa migração para uma modalidade de contratação mais flexível representa, na prática, a aplicação de uma ferramenta de gestão energética que já é usada por indústrias e grandes consumidores privados, mas que ainda é pouco explorada por órgãos públicos municipais no país.

Quanto o Semae já economizou e onde esse valor pode ser aplicado

Olhando para o histórico recente, a economia do Semae com o mercado livre de energia vem crescendo de forma consistente. Em 2025, a autarquia economizou R$ 1.676.326,90 ao longo do ano inteiro, uma redução de 18,21% em relação ao que seria gasto no mercado cativo. Com o resultado obtido nos primeiros cinco meses de 2026, a economia acumulada desde a adesão à nova modalidade já soma R$ 2,3 milhões, um valor que impacta diretamente a saúde financeira da autarquia responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto da cidade.

Essa redução de custos operacionais tende a se refletir em investimentos na infraestrutura hídrica do município, já que recursos que antes seriam destinados à conta de energia passam a estar disponíveis para outras finalidades dentro do orçamento do Semae. O próprio departamento técnico da autarquia projeta que a economia seja ainda maior nos próximos anos, já que os contratos negociados no mercado livre costumam ter vigência de longo prazo. Para o período entre 2027 e 2029, a estimativa é de uma economia total de pelo menos R$ 6 milhões considerando a bandeira tarifária verde, cenário em que o mercado cativo aplica valores menores, podendo superar os R$ 12 milhões caso prevaleça a bandeira vermelha patamar 2, quando a energia custa mais caro no modelo tradicional.

Por que essa estratégia tem se espalhado entre órgãos públicos

A opção pelo mercado livre de energia não é exclusividade de Mogi das Cruzes, e reflete uma tendência observada em diferentes prefeituras e autarquias brasileiras que buscam reduzir despesas operacionais sem cortar serviços prestados à população. Como esse modelo de contratação depende de volume de consumo elevado para ser viável tecnicamente, ele costuma ser mais acessível a unidades como estações de tratamento de água, hospitais públicos de grande porte e prédios administrativos com alta demanda energética, exatamente o perfil das unidades do Semae que aderiram à modalidade.

Para o cidadão comum, entender esse tipo de decisão ajuda a acompanhar como a gestão pública local vem buscando eficiência em áreas que nem sempre aparecem no noticiário, mas que impactam diretamente a qualidade dos serviços prestados. A autarquia sinaliza que pretende ampliar o número de unidades inseridas no mercado livre de energia nos próximos anos, o que deve elevar ainda mais o volume de economia projetado para o período entre 2027 e 2029. Essa expansão, somada aos resultados já obtidos, mostra como ferramentas de gestão energética, normalmente associadas ao setor privado, também podem gerar ganhos concretos quando aplicadas ao serviço público.

O caso do Semae de Mogi das Cruzes ilustra bem como decisões técnicas, muitas vezes pouco visíveis no dia a dia da população, podem gerar economia relevante para os cofres públicos ao longo do tempo. Ao optar pelo mercado livre de energia em unidades de alta tensão, a autarquia conseguiu reduzir em quase um quinto o que gastaria no modelo tradicional, liberando recursos que podem ser direcionados para investimentos na rede de água e esgoto da cidade. Para os próximos anos, a expectativa da própria autarquia é de que essa economia continue crescendo, à medida que novos contratos de longo prazo sejam negociados e outras unidades operacionais sejam incorporadas a esse modelo.

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