Saúde+Segura conecta unidades municipais ao Centro de Operações Integradas e deve beneficiar mais de 2 mil trabalhadores da rede pública
A Prefeitura de Mogi das Cruzes lançou, no dia 12 de junho, uma nova ferramenta tecnológica voltada à proteção dos profissionais que atuam na rede municipal de saúde. A prefeita Mara Bertaiolli lançou o Saúde+Segura, aplicativo de emergência para reforçar a segurança dos profissionais da rede municipal de saúde de Mogi das Cruzes, ao lado do vice-prefeito Téo Cusatis, durante apresentação no auditório da administração municipal. A iniciativa nasceu de uma parceria entre as secretarias de Saúde e Bem-Estar e de Segurança, e tem como proposta oferecer uma resposta rápida em situações de risco vividas no dia a dia das unidades de saúde. Portalnews
O aplicativo foi instalado diretamente nos celulares corporativos distribuídos pelas unidades municipais, eliminando a necessidade de instalação individual pelos servidores. A iniciativa foi proposta inicialmente pelo vereador Rodrigo Romão, por meio do Projeto de Lei nº 191/2025, e segundo a secretária de saúde Rebeca Barufi, a medida deve beneficiar mais de 2 mil profissionais, sendo 1.731 funcionários contratados via Organizações Sociais e 744 servidores diretos. O número expressivo de beneficiados mostra a escala da rede municipal de saúde de Mogi e a abrangência que a ferramenta pretende alcançar desde o primeiro momento. O Diário de Mogi
Para quem trabalha na linha de frente do atendimento de saúde na cidade, ou tem familiares nessa função, a principal dúvida é entender como o aplicativo funciona na prática e que tipo de situação justifica seu acionamento. Os detalhes técnicos da ferramenta e o contexto que motivou sua criação ajudam a esclarecer esses pontos.
Como funciona o aplicativo Saúde+Segura
A lógica de funcionamento do aplicativo foi pensada para ser simples e rápida, já que situações de risco costumam exigir respostas imediatas. Instalado nos celulares corporativos das unidades, o aplicativo foi projetado para ser uma ferramenta de emergência acessível e eficiente, podendo ser acionado em casos de ameaças, presença de indivíduos suspeitos ou qualquer ocorrência que possa comprometer a segurança da equipe e dos pacientes. Esse desenho amplo de uso permite que o profissional avalie a situação de risco com certa flexibilidade, sem depender de uma lista rígida de ocorrências pré-definidas para justificar o acionamento. Jornal Sete
O processo de ativação foi pensado para ser o mais direto possível. O profissional que se sentir inseguro poderá acionar um botão de pânico na aba “Pedir Ajuda”, disponível dentro do aplicativo Saúde+Segura, e após acionado, a plataforma irá redirecionar para um chat com o Centro de Operações Integradas. Com um simples toque no botão, o sistema envia um alerta instantâneo e geolocalizado ao Centro de Operações Integradas da Guarda Civil Municipal, garantindo que a localização exata da ocorrência seja transmitida de forma precisa e imediata. O Diário de MogiJornal Sete
Depois desse alerta inicial, o protocolo de resposta entra em ação imediatamente. Uma vez acionado, o protocolo de resposta é ativado em tempo real, e uma equipe da Guarda Civil Municipal é prontamente mobilizada e direcionada ao local indicado, assegurando uma intervenção ágil e eficaz. A combinação entre geolocalização automática e comunicação direta com a central de monitoramento busca reduzir o tempo de resposta em comparação com métodos tradicionais, como ligações telefônicas, que dependem de o profissional conseguir descrever verbalmente sua localização em um momento de tensão. Jornal Sete
Por que a Prefeitura decidiu investir nessa tecnologia
A criação do aplicativo não partiu de um caso isolado, mas de um diagnóstico mais amplo sobre a violência enfrentada por trabalhadores da saúde, tanto em nível nacional quanto na própria rede municipal. Durante a apresentação do projeto à imprensa, o secretário-adjunto de saúde, Luiz Bot, mencionou dados nacionais referentes à violência contra profissionais da saúde, entre eles uma pesquisa do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo que revelou que 80% dos profissionais de enfermagem já sofreram algum tipo de violência no trabalho. Portalnews
No âmbito local, os números também reforçam a necessidade da ferramenta. Dados anteriores já indicavam a necessidade de reforçar a segurança nas unidades, com a Guarda Civil Municipal registrando dezenas de ocorrências em instalações de saúde nos últimos períodos, o que motivou diretamente o desenvolvimento conjunto entre as secretarias envolvidas. Antes de chegar ao lançamento oficial, a ferramenta passou por uma fase extensa de testes em campo. A prefeitura realizou diversos testes no aplicativo em todas as unidades de saúde do município, entre as sete unidades de pronto atendimento, as seis de saúde mental, 18 Unidades Básicas de Saúde, 17 Unidades de Saúde da Família e o Hospital Municipal. Jornal SeteO Diário de Mogi
Esse processo de testes amplo, cobrindo praticamente toda a estrutura da rede municipal de saúde, buscou garantir que a ferramenta funcionasse de forma consistente independentemente do tipo de unidade ou da localização geográfica dentro da cidade. A diversidade de cenários testados, de unidades de pronto atendimento a serviços de saúde mental, também reflete a percepção de que o risco de violência não se concentra em um único tipo de equipamento de saúde, mas está presente de formas distintas em diferentes contextos de atendimento.
A integração com o programa Smart Mogi e os próximos passos
O Saúde+Segura não nasce como uma ferramenta isolada, mas como parte de uma estrutura tecnológica mais ampla já em funcionamento na cidade. A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas à segurança nas unidades de saúde e será integrada ao programa Smart Mogi, maior rede inteligente de monitoramento por câmeras da região, com 730 equipamentos espalhados em pontos estratégicos da cidade. Essa integração permite que, além do alerta enviado pelo profissional, a central de monitoramento também possa cruzar informações com as câmeras instaladas próximas ao local da ocorrência, ampliando a capacidade de resposta da equipe de segurança. Portalnews
O coronel Gilberto Ito, secretário de Segurança, reforçou que a expectativa da gestão é que a ferramenta funcione, sobretudo, como um recurso preventivo. Segundo ele, desde janeiro de 2025 a Guarda Civil Municipal atendeu a quase 70 ocorrências nas unidades de saúde, e é uma tecnologia que a gestão espera não precisar usar, mas que, sempre que necessário, contará com equipes a postos para atender. Essa fala resume bem a lógica por trás de investimentos como esse: a expectativa não é que o aplicativo seja acionado com frequência, mas que sua simples existência já contribua para inibir situações de risco e, quando necessário, garanta uma resposta rápida que proteja tanto os profissionais quanto os pacientes presentes nas unidades de saúde da cidade. Portalnews
Fontes: Portalnews | O Diário de Mogi | Jornal Sete
Autor: Diego Rodríguez Velázquez