Hugo Galvao de Franca Filho, empresário e especialista em marketplaces e crescimento de vendas online, explica que toda venda online carrega um risco que raramente aparece nos relatórios de faturamento, mas que pesa diretamente no resultado final de qualquer negócio digital. Enquanto o consumidor finaliza uma compra em poucos cliques, por trás daquela mesma tela existe uma disputa constante entre sistemas de segurança e fraudadores cada vez mais sofisticados, e o Brasil, infelizmente, ocupa uma posição de destaque nesse cenário pouco confortável.
A segurança digital deixou de ser um tema restrito à equipe de tecnologia e passou a ser uma questão estratégica de qualquer negócio de e-commerce. Ignorar esse aspecto da operação é como deixar a porta dos fundos de uma loja física aberta; o prejuízo pode não aparecer todos os dias, mas, quando acontece, costuma custar muito mais do que o investimento necessário para preveni-lo.
A escala do problema no mercado brasileiro
Levantamentos recentes mostram a dimensão real desse desafio. Somente no primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou uma das maiores taxas de suspeita de fraude digital entre os países analisados na América Latina, e o volume de tentativas de golpe durante o comércio eletrônico já ultrapassa a marca de centenas de milhões de reais em poucos meses. Esse cenário se intensifica ainda mais durante períodos de pico de vendas, como a Black Friday, quando a pressão de fraude costuma crescer de forma expressiva em relação ao restante do ano.
Diante desses números, Hugo Galvao de Franca Filho reforça que negócios de qualquer porte precisam tratar a prevenção de fraude com a mesma seriedade dedicada a marketing e vendas. Segundo ele, é justamente nos períodos de maior movimento, quando o volume de pedidos cresce rapidamente, que fraudadores aproveitam para se misturar entre compras legítimas, explorando falhas de validação que passariam despercebidas em um fluxo normal de operação.
Chargeback, o custo que vai além da venda perdida
Quando uma compra fraudulenta é contestada pelo titular do cartão, o processo de estorno, conhecido como chargeback, gera um prejuízo que ultrapassa em muito o valor da venda original. Além de perder o produto e o dinheiro da transação, o lojista ainda arca com taxas administrativas, custos de logística reversa, quando aplicável, e, em casos recorrentes, corre o risco de sofrer sanções das próprias bandeiras de cartão, que podem chegar ao descredenciamento da empresa.
Nesse sentido, Hugo Galvao observa que esse conjunto de consequências costuma ser subestimado por negócios menores, que enxergam o chargeback apenas como uma venda perdida isolada. Ele reforça que, além do impacto financeiro direto, existe um efeito reputacional relevante, já que uma parcela significativa das empresas vítimas de fraude relata queda na confiança do consumidor e aumento da taxa de cancelamento de clientes, o que transforma um problema pontual de segurança em um risco de longo prazo para a marca.
Tecnologia como principal linha de defesa
A boa notícia é que a mesma tecnologia usada por fraudadores para burlar sistemas de segurança também evoluiu do lado da prevenção. Ferramentas de machine learning e análise comportamental conseguem identificar padrões suspeitos em tempo real, avaliando desde a consistência dos dados informados no checkout até o comportamento de navegação do usuário antes da compra, sem necessariamente adicionar fricção para o consumidor legítimo.
Para Hugo Galvao de Franca Filho, esse equilíbrio entre segurança e experiência de compra é o verdadeiro desafio da prevenção de fraude moderna. Ele destaca que sistemas antifraude mal calibrados podem acabar bloqueando clientes reais por engano, gerando frustração e perda de vendas legítimas, enquanto sistemas bem ajustados conseguem barrar tentativas de fraude sem que o consumidor honesto perceba qualquer atrito adicional durante o processo de finalização da compra.
O papel da regulação e dos meios de pagamento
O crescimento acelerado dos meios de pagamento instantâneos no Brasil também trouxe uma camada adicional de atenção para o tema, já que transações mais rápidas desabilitam sistemas de validação igualmente ágeis. O Banco Central tem atualizadas diretrizes regulatórias para esquemas de pagamento justamente para dar mais clareza e segurança a esse processo, reforçando regras de contestação e devolução de valores entre bandeiras, adquirentes e comerciantes.
Para Hugo Galvao de Franca Filho, esse tipo de regulação funciona como uma base que dá mais previsibilidade a todo o ecossistema de pagamentos, mas não substitui a responsabilidade de cada negócio em manter seus próprios sistemas de validação atualizados. Ele resume esse cenário de forma direta: negócios que tratam segurança como investimento estratégico, e não como custo evitável, tendem a proteger não apenas a receita imediata, mas também a contribuição construída ao longo de anos de relacionamento com o consumidor.
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