Falha na Linha 12-Safira faz Artesp trazer a CPTM de volta às trilhas que atendem Mogi das Cruzes

Por Diego Velázquez 6 Min de leitura

Princípio de incêndio em trem provocou caos em três linhas nesta semana e adiou por 90 dias a operação total da Trivia Trens.

Passageiros que dependem do trem para chegar a Mogi das Cruzes tiveram uma semana de transtornos. Depois de três dias seguidos de falhas na operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou, no dia 23 de julho, o retorno da CPTM para atuar em conjunto com a concessionária Trivia Trens pelos próximos 90 dias. A Linha 11-Coral, que tem estação terminal na cidade de Mogi das Cruzes, foi diretamente afetada pelo episódio mais grave: um princípio de incêndio em uma composição da Linha 12-Safira, que interrompeu a circulação e gerou atrasos generalizados. Para quem usa o trem todos os dias para trabalhar ou estudar, fica a pergunta que mais importa agora: até quando o transtorno deve durar, e o que muda na prática com a volta da CPTM às trilhas?

O que causou o caos nas linhas que atendem a região

O problema mais crítico aconteceu na quinta-feira (23/07), quando um possível curto-circuito em um trem da Linha 12-Safira provocou um princípio de incêndio, desligou subestações de energia e paralisou as três linhas ao mesmo tempo, afetando diretamente também a Linha 11-Coral, segundo apurou o Diário do Transporte. A ocorrência gerou plataformas lotadas, restrições operacionais e obrigou passageiros a deixar os trens em alguns trechos, em uma manhã que o próprio diretor-presidente da Artesp, André Isper, classificou publicamente como inaceitável.

Segundo Isper, a Trivia Trens havia assumido oficialmente a operação das linhas na terça-feira (21/07), e os problemas se repetiram por três dias consecutivos até o episódio mais grave da quinta-feira. Diante da gravidade da situação, a Artesp optou por acionar uma cláusula do contrato de concessão, firmado em 2025, que prevê a possibilidade de retorno temporário da CPTM em situações excepcionais, conforme confirmou o Programa da Marilei.

Como fica a operação das linhas nos próximos 90 dias

Com a decisão do Conselho Diretor da Artesp, equipes da CPTM voltam a atuar em conjunto com a Trivia Trens pelos próximos três meses, em um modelo chamado de operação assistida. A expectativa da agência reguladora é que esse período permita uma apuração detalhada das causas das falhas, especialmente do incidente do dia 23, além de uma revisão completa dos procedimentos operacionais para evitar novos problemas, de acordo com o Portal Notícias do Transporte.

Ao final dos 90 dias adicionais, a previsão é que a Trivia Trens assuma de forma integral a operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e do Serviço Expresso Aeroporto, já com maior estabilidade e menor impacto para os passageiros. Até lá, a Artesp afirmou que vai manter fiscalização permanente sobre a prestação do serviço e que pode adotar outras medidas administrativas e contratuais, caso novas falhas se repitam nas linhas que ligam Mogi das Cruzes, Suzano e outras cidades da região ao restante da Grande São Paulo.

O que isso significa para quem embarca todos os dias em Mogi das Cruzes

Como a Linha 11-Coral tem a estação Estudantes e a estação Mogi das Cruzes como pontos finais do trajeto, moradores da cidade que dependem do trem para chegar a São Paulo, Suzano ou municípios vizinhos sentem de forma direta qualquer instabilidade nas Linhas 12-Safira e 13-Jade, já que uma falha em uma linha costuma afetar a operação das demais por conta da interligação entre elas. Nos próximos 90 dias, a presença de equipes da CPTM ao lado da Trivia Trens deve significar, na prática, mais uma camada de fiscalização e suporte operacional durante o período de transição da concessão.

Para quem pega o trem diariamente, o recado da Artesp é que o retorno da CPTM não é uma solução definitiva, mas sim uma medida emergencial para reduzir os riscos de novas falhas enquanto a concessionária ajusta seus processos. Vale acompanhar comunicados da própria Artesp e da Trivia Trens sobre eventuais alterações de horário ou intervalo entre os trens durante esse período de operação conjunta.

O episódio reacende uma preocupação recorrente entre quem depende do trem em Mogi das Cruzes: a estabilidade do serviço em uma linha que também serve como porta de entrada para estudantes universitários e trabalhadores da região. Nos próximos meses, a atuação conjunta entre CPTM e Trivia Trens deve ser o principal termômetro para saber se os transtornos registrados em julho foram um problema pontual da transição de concessão ou um sinal de dificuldades mais duradouras na operação das linhas que atendem o Alto Tietê.

Fontes: Diário do Transporte | Portal Notícias do Transporte

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