Jovens Evitam Carreira em Tecnologia Apesar de Altos Salários

Por Diego Velázquez 4 Min de leitura

Os salários na área de Tecnologia da Informação (TI) têm aumentado significativamente, mas isso não tem sido suficiente para atrair os jovens da geração Z, nascidos entre 1997 e 2012. Um estudo da National Society of High School Scholars revelou que esses jovens estão preferindo carreiras em outros setores, como o da saúde.

A pesquisa, que entrevistou mais de 10 mil jovens, mostrou que grandes empresas de tecnologia, como Google e Amazon, caíram no ranking de preferência dos estudantes. A Google, que já foi a mais desejada, agora ocupa o sétimo lugar, enquanto a Amazon está em oitavo. As áreas de maior interesse são medicina (24%) e assistência médica (22%).

Especialistas acreditam que essa tendência também se aplica ao Brasil. Dado Schneider, mestre e doutor em comunicação, explica que a pandemia teve um grande impacto na geração Z, que começou a trabalhar e estudar de forma remota, sem a experiência acadêmica tradicional. Além disso, esses jovens cresceram em um ambiente já saturado de tecnologia, o que diminui o fascínio pelo setor.

Cosme Peres, conselheiro da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), aponta que a geração Z tem uma visão negativa da inteligência artificial, temendo que a tecnologia possa substituir seus empregos. José Roberto Paim Neto, diretor de TI da Gi Group Holding, observa que, no Brasil, a área da saúde sempre foi mais procurada, embora a demanda por cursos de TI esteja crescendo.

Nívia Kércia, uma estudante de 30 anos, exemplifica essa dualidade. Apaixonada tanto pela saúde quanto pela tecnologia, ela está cursando Enfermagem e planeja concluir um curso de TI, com a intenção de trabalhar com tecnologia voltada para a saúde.

A dificuldade de encontrar profissionais qualificados na área de TI é um problema crescente. Um levantamento da Gi Group Holding, em parceria com a Politecnico di Milano e a Intwig Data Management, revelou que 43,7% das empresas brasileiras enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores com habilidades digitais avançadas. As áreas mais procuradas incluem marketing digital, inteligência artificial, segurança da informação, desenvolvimento de software, e análise de dados.

José Roberto Paim Neto destaca que a rápida evolução tecnológica exige que os profissionais se atualizem constantemente, o que pode ser um desafio. Além disso, a barreira do idioma, especialmente o inglês, dificulta a entrada de muitos brasileiros nesse mercado.

A geração Z também busca propósito em suas carreiras, o que pode explicar a preferência por áreas que envolvem o cuidado com a vida humana. Gisélia Freitas, especialista em carreiras, afirma que essa geração valoriza a qualidade de vida e o equilíbrio entre trabalho e lazer, o que nem sempre é possível na área de tecnologia.

Em resumo, apesar dos altos salários, a área de TI enfrenta um desafio significativo para atrair jovens talentos. A preferência por carreiras que oferecem um propósito claro e um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional está moldando as escolhas da geração Z, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

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