Região concentra a maior parte dos atendimentos técnicos do estado ao setor e recebe novos investimentos para fortalecer o produtor rural.
Mogi das Cruzes carrega, há décadas, a reputação de ser um dos principais polos de produção de hortaliças do estado de São Paulo, e os números mais recentes reforçam essa posição. Levantamento da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, mostra que a maior parte dos atendimentos técnicos prestados a produtores da região no último ano foi direcionada justamente à cadeia de hortaliças. Para quem caminha pelo Mercado do Produtor ou pelas feiras noturnas da cidade, a dúvida que fica é: o que sustenta essa força do agronegócio mogiano e quais investimentos estão em andamento para mantê-la nos próximos anos? A resposta passa por assistência técnica especializada, programas municipais de infraestrutura e a diversificação da produção, que vai muito além das verduras mais conhecidas pelo consumidor paulistano.
Por que a região de Mogi das Cruzes é referência na produção de hortaliças
A força da horticultura mogiana está diretamente ligada ao trabalho da CATI Regional, responsável por levar assistência técnica e extensão rural a produtores de doze municípios do Alto Tietê. No último ano, a CATI Regional de Mogi das Cruzes realizou 4.549 atendimentos a produtores rurais, e cerca de 80% desse volume esteve concentrado na cadeia produtiva da olericultura, que reúne legumes e verduras. Esse percentual ajuda a explicar por que a cidade segue sendo vista como uma das bases do chamado Cinturão Verde paulistano, faixa de municípios responsável por abastecer a Região Metropolitana de São Paulo e parte do litoral com produtos frescos colhidos a poucas horas de distância dos centros de consumo. Itens como alface, repolho, brócolis, couve e cebolinha fazem parte da lista de hortaliças cultivadas na região e que chegam diariamente às prateleiras de mercados e feiras da capital. Notícias de Mogi + 2
Além da olericultura, a CATI Regional também atende produtores ligados à fruticultura e à floricultura, segmentos que vêm demandando cada vez mais assistência técnica especializada. A Regional de Mogi das Cruzes é responsável pelas Casas da Agricultura de doze municípios, entre eles Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis e Santa Isabel, além de Suzano e da própria Mogi das Cruzes. Essa abrangência regional fortalece a posição de Mogi como núcleo de referência técnica, já que produtores de cidades vizinhas também recorrem à estrutura instalada no município para obter orientação sobre manejo de solo, controle de pragas e adequação às exigências de um mercado consumidor cada vez mais rigoroso em relação à qualidade dos alimentos. Jornal Sete
Cogumelos, orquídeas e frutas: a diversidade que sustenta o agronegócio mogiano
Embora as hortaliças sejam o carro-chefe, a produção agrícola de Mogi das Cruzes vai além das verduras do dia a dia. O município é o maior produtor nacional de orquídeas e hortênsias, responde por 40% da produção brasileira de caqui e também é o maior produtor do país de nêsperas, com cerca de 31 mil toneladas de frutas colhidas por ano. No setor de fungicultura, a cidade tem peso ainda maior: Mogi das Cruzes concentra 60% de todos os produtores de cogumelos do Brasil, número que coloca o município no centro de discussões nacionais sobre o setor, incluindo debates tributários junto a órgãos federais. Mogi das CruzesMogi das Cruzes
Esse protagonismo levou a cidade a conquistar uma cadeira na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Hortaliças do Ministério da Agricultura, espaço em que representantes do município passaram a participar das discussões sobre legislação e políticas públicas voltadas ao setor de hortifrutis. Entre os temas acompanhados está a tramitação de um projeto de lei complementar que prevê redução tributária sobre cogumelos, com possível impacto direto na competitividade dos produtores locais. A diversificação da produção, que combina hortaliças, frutas, flores e fungos, é apontada por técnicos da área como um dos fatores que tornam a economia rural mogiana mais resiliente a oscilações de preço em qualquer um desses segmentos isoladamente.
Investimentos e desafios: o que vem a seguir para o produtor rural
Para sustentar esse cenário, a Prefeitura de Mogi das Cruzes mantém o programa Mogi é Agro, voltado à infraestrutura e ao suporte técnico do setor. Por meio de um contrato de R$ 6,5 milhões firmado com a Caixa Econômica Federal via Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), o município está promovendo melhorias no Mercado Municipal e na feira da Vila Nova Aparecida, incluindo a instalação de um mezanino, reposição de vitrais, cobertura de pátios e novos sanitários. Essas obras buscam modernizar espaços que recebem diariamente produtores e consumidores. Mogi das Cruzes
Outras frentes do programa incluem o projeto ATER, de assistência técnica e extensão rural, o Novos Caminhos, voltado à manutenção de estradas vicinais usadas para o transporte da produção, e reuniões periódicas de Segurança Rural, que reúnem produtores, prefeitura e concessionárias de energia para discutir problemas recorrentes no campo, como quedas de luz que afetam sistemas de irrigação e refrigeração. Para os próximos meses, a expectativa entre produtores é que esses investimentos avancem conforme o cronograma, já que falhas na infraestrutura rural continuam entre as principais queixas registradas nos encontros do setor.
O conjunto de números e investimentos ajuda a explicar por que Mogi das Cruzes mantém papel de destaque no agronegócio paulista, mesmo em um cenário de urbanização crescente na Região Metropolitana de São Paulo. A combinação entre assistência técnica da CATI, programas municipais de infraestrutura e a diversificação produtiva forma a base que sustenta milhares de famílias ligadas ao campo na região. Para o consumidor, o resultado mais direto é a disponibilidade de alimentos frescos a preços competitivos nas feiras e mercados da cidade. Já para o produtor rural, o desafio segue sendo transformar a tradição agrícola da região em condições estruturais cada vez melhores para continuar produzindo com qualidade.
Fontes consultadas:
https://jornalsete.com.br/mogi-das-cruzes-se-destaca-no-estado-com-producao-de-hortalicas/
https://noticiasdemogi.com.br/agronegocio-da-regiao-de-mogi-movimenta-r-16-bilhao-e-se-destaca-na-producao-de-hortalicas/
https://www.mogidascruzes.sp.gov.br/noticia/mogi-e-agro-promove-o-potencial-do-agronegocio-mogiano-e-melhorias-em-equipamentos
https://www.mogidascruzes.sp.gov.br/noticia/mogi-das-cruzes-conquista-cadeira-na-camara-setorial-da-cadeia-produtiva-de-hortalicas-do-ministerio-da-agricultura
Autor: Diego Rodríguez Velázquez